Wednesday, November 30, 2005

 

Indefinições

É sabido que uma boa parte da "felicidade profissional" de um indivíduo se deve ao conhecimento explícito das expectativas que sobre si têm. Ora, neste momento, recaem sobre os professores uma série de expectativas que se sabem ser muitas, mas nem sempre muito bem definidas. Embora se possa pensar que é o ensinar a ler, a escrever e (vá lá) a pensar, há já quem diga que o nosso papel nada tem a ver com isso.

É também sabido que nas escolas não há salas de trabalho para os docentes. Os chamados gabinetes de trabalho simplesmente não existem, atirando os professores para espaços híbridos. Se por um lado a sala de professores é de convívio, ela também é de trabalho. Quando nela não há espaço, recorremos à biblioteca que também é dos alunos (que aproveitam para espreitar os testes que estamos a corrigir ou a ficha que estamos a elaborar).

Chegados a casa, o nosso espaço pessoal, o privado, de lazer e ócio (e o que mais se quiser), logo passa a local de trabalho onde fichas se imprimem, testes se corrigem e se "espalham" pela secretária. E nem sempre é fácil de manter estanques as funcionalidades desse espaço.POr outro lado, o tempo. Pode muito bem acontecer a um professor, ter de corrigir testes, ir fazendo o jantar e deitar o olho ao filho que por ali brinca.

Neste momento, o tempo de trabalho individual é a única variante que podemos modificar. Requer uma certa disciplina para marcar no horário semanal as restantes horas de trabalho individual, mas esta é uma das soluções para valorizarmos o nosso trabalho. Muitas vezes, os professores trabalham para além das 35 horas semanais, mas, como não contabilizam o tempo dispendido, os mais perfeccionistas ficam com uma sensação de que podiam fazer melhor e que poderiam esforçar-se mais. Quando começamos a contar as horas em que trabalhamos, distinguindo muito bem os tempos de lazer dos de trabalho, começamos a ter um grande à-vontade para, cumpridas as 35, gozarmos o fim-de-semana como bem entendermos.

Porém, uma das questões que se prende com esse tempo de trabalho tem a ver com a sua rentabilidade. Muitas vezes há uma tendência para dispersar na semana o trabalho, não o acumulando em blocos de horas seguidas, simplesmente porque não se aguenta. É que não se trata de um trabalho mecânico, não é a mesma coisa que preencher impressos de IRS no 12.º Bairro Fiscal de Lisboa, não é a mesma coisa que atender um contribuinte ao balcão. Quando um professor organiza a sua actividade lectiva há ingredientes que deve usar, ao contrário dos outros "funcionários". Há que ter em conta a criatividade, a motivação, a adequação pedagógica, as idiossincrasias discentes, o clima, a estação do ano, o que aconteceu ontem, hoje e o que pode acontecer amanhã... Etc, etc, etc...

Se mesmo depois de usarmos as horas devidas e pagas e tivermos que fazer horas extraordinárias NÃO REMUNERADAS porque ainda há trabalho inadiável por fazer, teremos que chegar à conclusão que andamos veladamente a trabalhar por objectivos (como os empregados do Belmiro). Mas até esses têm prémios de produtividade. Dava jeito que se pusesse tudo preto no branco e que alguém verdadeiramene inteligente entendesse tudo isto.

Sunday, November 20, 2005

 

Afeições

Afinal não somos assim tão diferentes, lá no fundo. Somos apenas espíritos num mundo material à procura de alegrias e da fuga ou esquecimento das mágoas. A diferença está nas estratégias. E são aqueles que as têm em comum comigo que permanecem e a quem eu me afeiçoo.

Friday, November 18, 2005

 

Closer

Espreitem esse link. Tem o vídeo de uma das minhas música favoritas dos últimos tempos.
http://www.warnerbrosrecords.com/damienrice/

Saturday, November 12, 2005

 

Começa cada vez mais cedo

Chegado o Outono, eu estava a ver qual seria o primeiro sinal do Natal na televisão. Foi hoje. No zapping do costume, vi a Diana Krall a cantar Jingle Bells. O disco já está no top 30... Pelo menos é a Diana Krall...
E olhem que eu ia jurar que em Setembro já tinha visto qualquer coisinha natalícia por aí...
Don't you just hate Christmas?
Well... I do...

Thursday, November 10, 2005

 

Motivação para a leitura

Há uma mulher americana que me espanta aqui e ali. Não é nenhuma erudita, não tem nenhum curso superior, não é uma guru desligada dos bens materiais, é riquíssima e , sem dúvida, um excelente substituto à segurança social americana.
Oprah Winfrey supreendeu-me há uns dias num programa que já deve ter passado na terra do tio Sam há uns meses. Essa senhora, que já viveu na miséria e sofreu absusos vários, pôs os americanos a ler Tolstoy e Faulkner. É isso mesmo! Ela tem uma coisa chamada "The Oprah's Book Club" e cada livro que nele inclui sobe para o topo das listas do mais vendidos nos dias seguintes. Isto é um feito. É estrondoso pôr o chamado americano comum a ler "Light in August" ou "As I lay dying", já para não falar da russa Anna Karenina (aquilo é um calhamaço!!!). Como se isto não fosse suficiente, ela ainda oferece livros no programa, faz packs com as editoras para baixar os preços e ainda põe no seu site o público em contacto com um conjunto de especialistas em literatura para conversar ou tirar dúvidas aos leitores.
Faltava-nos em Portugal alguém assim.
Como diz Vargas Llosa, escrever num país onde os pobres não lêem e os ricos não se interessam é uma espécie de loucura.
E, volto lá, falar de Faulker no "Ophra's Show" é um arrojo.

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