Saturday, July 30, 2005
A prayer
Agnus dei
Qui tollis peccata mundi
Dona nobis pacem
Qui tollis peccata mundi
Dona nobis pacem
O alimento dos dias
Sobre algo bastante prosaico... Não sei se já repararam que uma boa parte das pessoas famosas, das pessoas que contribuiram para a humanidade (na arte, na ciência ou na política) não cozinhava as suas próprias refeições. Havia sempre alguém (que ficou para sempre no anonimato) que alimentava o artista ou o cientista ou o político...
Há excepções que não são nutricionalmente correctas. Van Gogh alimentava-se, numa parte da sua vida, a café e pão...
Isso leva-me a uma conclusão muito simples: eu cozinho as minhas refeições, limpo a minha casa e passo a minha roupa a ferro, logo nunca serei famosa e não terei um peso relevante na humanidade...
Agora a café e pão, nunca!!!
Wednesday, July 27, 2005
Morra a estupidez!
Morra!
PIM!
Morra!
PIM!
Como dizia o outro, há a extrema necessidade de Portugal se tornar uma coisa asseada.
Sunday, July 24, 2005
Depois do jantar, ele abandonava a mesa, desprezava o sofá, ignorava a televisão e desligava da conversa da mulher que acabava por se calar. Ficava um quase silêncio, não fosse a televisão. Os sons inaudíveis de crianças por nascer.
No ar fresco da noite, aspirando ávida mas calmamente o cigarro, aquela varanda transformava-se numa espécie de rampa.
Saturday, July 23, 2005
Sobem-se as ruas estreitas seguindo as marcas do percurso pedestre homolgado, passa-se pelo castelo onde até os cactos sucumbem à secura. Avista-se a barragem, quase sem água, e os moinhos. Escutam-se depois os morcegos na caverna. Mais adiante estão os fósseis. O paradão é muito cimento e ferrugem para tão pouca água. O que foi fundo é agora lama ressequida. Desce-se até ao sítio onde em tempos se moeu a farinha e se fez o pão. Na subida, uma senhora muito palradeira fazia marafonas. Regressámos ao largo, onde inexplicavelmente um tanque blindado ladeia com um parque infantil.
O Homem subiu a montanha e ali lançou raízes. Abraçou a sua casa com as pedras e fez delas tecto, chão e paredes.
Este filme é dos mais bonitos que eu alguma vez já vi. Agarrem-no!
É sobre o amor. E não é tudo sobre o amor?
Friday, July 15, 2005
Ex.mo Sr. Primeiro Ministro,
Serve esta para o informar que, no próximo ano lectivo, trabalharei as 35 horas por semana. Cumprirei o que V. Ex.a manda. Todavia, devo também informá-lo que, desse modo, irão ficar algumas fichas por corrigir e algumas aulas por preparar. E se algum aluno vier falar comigo depois da 35.ª hora semanal, lamentarei, mas seguirei em frente, muda.
Aproveitava esta mensagem para lhe pedir, por obséquio, mais uns quantos metros quadrados em forma de gabinetes de trabalho. Não o vi em nenhuma escola nos dias das convocatórias gerais por despacho e deduzo que não se acotovelou com nenhum do professores. Olhe que "com licença" foi uma expressão muito usada nesse dia. Sei que o senhor tem um gabinete espaçoso. Talvez o possa ceder. E já agora umas quantas secretárias para fazer os trabalhos administrativos que profissionais pedagógicos (pessoas treinadas para ensinar coisas belas e úteis) têm de levar a cabo no reino da burocracia.
No dia em que matar as galinhas, experimente lá fazer uma omotele.
Tuesday, July 12, 2005
Dá a surpresa de ser
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, qusndo é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, qusndo é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa



