Friday, May 20, 2005
O elogio da felicidade
A felicidade é o único estado de espírito socialmente aceite.
Darmos largas aos nossos momentos depressivos, juntarmo-nos muitos e vivermos em conjunto esse humor menos alegre, mais meditabundo, mais lento, menos concentrado e com menos apetite pelas coisas consumíveis podia muito bem ser a plataforma de lançamento para comunidades muito engraçadas. Se vivêssemos isso a fundo, saíriamos do esquema de vida que temos e começávamos a fazer algo de verdadeiramente criativo com as nossas vidas. Assim uma "cena bué existencialista", como diz um conhecido meu. :D
Já vi pessoas que me amam muito que, quando me vêem mais introspectiva, menos volutiva, sacam logo da frases: " Se calhar estás deprimida. Convinha-te ires a um médico." Não há nada mais irritante do ouvir que isto. Saltam-me todas as tampas (as que tenho e as que não tenho...). Que diacho!!! Então mas uma pessoa não pode andar mais lenta, mais pensativa, com menos vontades?
Porque é que toda a gente tem de te estar altamente concentrada, produtiva, "socially fit" e ready for action?
As pessoas que nos amam querem-nos assim por egoísmo. As pessoas que amam também podem ser egoístas! Quem não viu "As Horas"? Aquele diálogo entre a Clarissa e o Richard antes da festa... lindo!!! lindo!!!
Depois, interessa muito ao Belmiro de Azevedo, e a todos os que fazem dinheiro cada vez que saímos de casa, que sejamos activos e bem-dispostos, cheios de vontades de fazer coisas e de comprar coisas (para lhes transmitirmos generosamente o nosso dinheiro.)
E ainda interessa às empresas farmacêuticas, pois claro!
Todos enchem os bolsos com esta mania da felicidade permanente. Essa coisa do "shiny happy people"...
Somos seres químicos, mas tb somos seres afectivos e espirituais. Uma coisa é o meu corpo não ser, de todo, capaz de produzir serotonina e aí convém-me mesmo um comprimido.
Outra coisa é eu andar a dar tratos à cabeça para descobrir formas de tirar mais prazer da vida e ter mais momentos felizes, sentir-me melhor comigo e com os outros.
Eu sempre preferi a última via. Sou pessoa de ter grandes e prolongados amóques, já estive com a chaves de casa na mão para ir ao médico, mas ainda assim, prefiro viver com os químicos que o meu cérebro produz. É isso que funciona comigo.
Tomarmos os comprimidos não quer dizer que nos tenhamos passado para o outro lado do maralhal. Quer dizer apenas que precisamos de um empurrãozinho (passo a expressão...), ou de uma bóia.
Enfim... Cada um tem dentro de si o mapa do seu próprio caminho.
Darmos largas aos nossos momentos depressivos, juntarmo-nos muitos e vivermos em conjunto esse humor menos alegre, mais meditabundo, mais lento, menos concentrado e com menos apetite pelas coisas consumíveis podia muito bem ser a plataforma de lançamento para comunidades muito engraçadas. Se vivêssemos isso a fundo, saíriamos do esquema de vida que temos e começávamos a fazer algo de verdadeiramente criativo com as nossas vidas. Assim uma "cena bué existencialista", como diz um conhecido meu. :D
Já vi pessoas que me amam muito que, quando me vêem mais introspectiva, menos volutiva, sacam logo da frases: " Se calhar estás deprimida. Convinha-te ires a um médico." Não há nada mais irritante do ouvir que isto. Saltam-me todas as tampas (as que tenho e as que não tenho...). Que diacho!!! Então mas uma pessoa não pode andar mais lenta, mais pensativa, com menos vontades?
Porque é que toda a gente tem de te estar altamente concentrada, produtiva, "socially fit" e ready for action?
As pessoas que nos amam querem-nos assim por egoísmo. As pessoas que amam também podem ser egoístas! Quem não viu "As Horas"? Aquele diálogo entre a Clarissa e o Richard antes da festa... lindo!!! lindo!!!
Depois, interessa muito ao Belmiro de Azevedo, e a todos os que fazem dinheiro cada vez que saímos de casa, que sejamos activos e bem-dispostos, cheios de vontades de fazer coisas e de comprar coisas (para lhes transmitirmos generosamente o nosso dinheiro.)
E ainda interessa às empresas farmacêuticas, pois claro!
Todos enchem os bolsos com esta mania da felicidade permanente. Essa coisa do "shiny happy people"...
Somos seres químicos, mas tb somos seres afectivos e espirituais. Uma coisa é o meu corpo não ser, de todo, capaz de produzir serotonina e aí convém-me mesmo um comprimido.
Outra coisa é eu andar a dar tratos à cabeça para descobrir formas de tirar mais prazer da vida e ter mais momentos felizes, sentir-me melhor comigo e com os outros.
Eu sempre preferi a última via. Sou pessoa de ter grandes e prolongados amóques, já estive com a chaves de casa na mão para ir ao médico, mas ainda assim, prefiro viver com os químicos que o meu cérebro produz. É isso que funciona comigo.
Tomarmos os comprimidos não quer dizer que nos tenhamos passado para o outro lado do maralhal. Quer dizer apenas que precisamos de um empurrãozinho (passo a expressão...), ou de uma bóia.
Enfim... Cada um tem dentro de si o mapa do seu próprio caminho.