Friday, March 23, 2007

 

A Profecia Celestina










Tudo é energia. Apenas isso.
Back and forward
.

 

















"... the real me is very shy... really shy... and a bit backward..."


Saturday, October 28, 2006

 

Lobo Antunes

Para quem não conseguiu ver a entrevista a António Lobo Antunes, no passado dia 26, na RTP, aqui fica o link.


Sunday, October 15, 2006

 

Everyday, for six years



Does he ever smile?

Saturday, October 14, 2006

 

O meu coração já se entregou à tempestade

Santa chuva

 

And so it is... not so easy


 

Flutuo

(...)

Hoje eu vou fingir
Que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer
Que as coisas vão mudar
Amanhã

Hoje eu vou fugir
Para não me dar a vontade
De ser tua
Só para não me ouvir dizer
Que as coisas vão mudar amanhã

Susana Félix

Saturday, September 09, 2006

 

Quem és tu, de novo?

Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?

As redes são passageiras, as arquitecturas da fuga
De toda a água que corre, de todo o vento que passa
Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga

Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és alguém, de novo?

Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

Jorge Palma

Friday, August 18, 2006

 


Gus Harper


 















Catherine Wagner Minnery

Sunday, August 13, 2006

 

Quem tem saudades dele?


Thursday, August 10, 2006

 

A Ilha Verde


Tirando a doideira dos condutores micaelenses, que teimam em estacionar em ruas estreitíssimas, o facto de olharem para mim, continental de chinelo no pé, com ar de quem não tem dinheiro para o café (ai se eu fosse loira...) e dos preços dos carros e quartos alugados... São Miguel seria o paraíso.
Num dia em que o sol ameaçava pôr-se e as nuvens descansavam em cima do pico, tirei esta foto de que gosto particularmente a caminho da Lagoa do Fogo. Depois, mais tarde haveria de fazer o percurso pedestre marcado a partir de Praia, pertinho do Bahia Palace... :D Foram dias excelentes!

Wednesday, July 26, 2006

 

Anarchy

"Oh judge, your damn laws: The good people don't need them and the bad people don't follow them."
Ammon Hennacy

Monday, July 10, 2006

 

Decepcionada


Na próxima vez que eu me cruzar com um livro da Inês Pedrosa, pensarei duas vezes em lê-lo. Não vá ela ter uma visão tão simplista e parcial da vida em geral.

Monday, June 26, 2006

 

Entre paredes

Um amor precisa de uma casa, como se fosse uma espécie de pintura no estuque, uma espécie de cheiro que se cola ao sofá. De paredes onde habite uma calma doce bem conhecida de todos os dias.

Tuesday, June 13, 2006

 

Por outro lado

este é fraquinho...

 

Um grande livro lido!


 

About queens

Sorte têm as mulheres anglófonas que ao ouvirem "you're beautiful" não têm pretextos para se porem a pensar se é uma coisa do estar ou do ser. E feliz de quem pode dizer uma frase asssim sem ter de pesar circunstâncias ou essências e fazer umas prevalever sobre as outras.

Friday, June 09, 2006

 

Não o lerei



mas o título é excelente.

Tuesday, June 06, 2006

 

Greve no dia 14

OS PROFESSORES E EDUCADORES FARÃO DE 14 DE JUNHO
UM ENORME DIA DE LUTA!


A FENPROF convocou uma grande jornada de luta para o dia 14 de Junho de 2006. A decisão sobre esta grande acção e a data escolhida para que se concretizasse assentou na seguinte análise:

1. O projecto de revisão/liquidação do ECD apresentado pelo Ministério da Educação é, de facto, inaceitável. O seu conteúdo corresponde, efectivamente, à liquidação do Estatuto da Carreira Docente ao ponto de nem serem esquecidos os pormenores. Por exemplo, o ME propõe substituir a designação "Estatuto" por "Regime Legal". Uma subtileza com profundo significado;

2. As permanentes declarações da ministra da Educação acusando os professores por todos os problemas do sistema [mau funcionamento das escolas; insucesso escolar; abandono escolar;…] são de todo inaceitáveis por ferirem na sua dignidade os profissionais docentes;

3. Por estas razões principais, o Secretariado Nacional da FENPROF decidiu convocar uma jornada de luta que compreende Greve, Plenário Nacional e Manifestação Nacional;

4. Colocava-se, contudo, a marcação da data para o fazer e essa era a dificuldade, na certeza, porém, de que os professores não poderiam chegar ao final do ano sem uma forte resposta aos sucessivos ataques do ME. Uma resposta que fosse, para já, apenas a primeira, daí a necessidade de ser muito forte;

5. Assim, tendo em conta que:

a) Esta jornada de luta teria de ser anterior ao dia 23 (último dia de aulas);
b) Não se pretendia que coincidisse com dia de exame nacional para evitar aproveitamentos ilegítimos quanto aos objectivos da luta (não terá sido ingénua a entrega do projecto do ME no final de Maio);
c) Para não coincidir com os exames, a Greve teria de ser marcada para a semana anterior à que se inicia em 19;
d) Nessa semana, os únicos dias possíveis seriam 12, 14 e 16;
e) Dia 16 seria "ponte" em todo o país, estando, por isso, fora de questão;
f) Entre 12 e 14 (e porque o 13 é feriado, mas em Lisboa e não no resto do país) pareceu-nos melhor o 14 para não encostar ao fim de semana…

6. …Foi escolhido o dia 14 (e, recorda-se, só em Lisboa e em poucos mais concelhos, o dia 13 é feriado. Mesmo na área metropolitana de Lisboa não é feriado na esmagadora maioria dos municípios). Antes desta semana, o período de tempo seria legalmente insuficiente para que se entregasse o Pré-Aviso de Greve;

7. O facto de ser encostado ao feriado de dia 15 é importante, pois facilita a participação na Manifestação Nacional convocada para o dia anterior. Os colegas de mais longe, que chegarão às suas casas já em plena madrugada, não terão de trabalhar no dia seguinte o que facilitará que estejam disponíveis para participarem na Manifestação;

8. Se esta Greve tivesse sido convocada para que se fizesse "ponte" não seria acompanhada de Plenário Nacional e de Manifestação. Essa será a prova de que os professores estão realmente em luta e não de "férias". Estamos certos de que não apenas os professores de outras regiões do país, mas também os do concelho de Lisboa (e estes de forma determinante) darão grandiosidade à Manifestação.

9. A FENPROF não duvida de que um elevadíssimo número de professores e educadores, nesse dia, estará em Lisboa a participar em uma das maiores Manifestações de Professores e Educadores de que há memória. O momento que vivemos justifica que assim seja!


O Secretariado Nacional

Sunday, June 04, 2006

 

Movimento

Penso que nesta luta por um justo Estatuto da Carreira Docente temos de ir além dos sindicatos. Devia juntar-se uma espécie de movimento cívico que aglomerasse em seu torno todos os que estão desapontados com sindicatos e as suas escolhas das datas para as greves.
Por estes dias tive uma ideia: se todos os professores decidissem não atestar na Galp (que é uma empresa parcialmente estatal) ou tomar outra decisão que afectasse determinados grupos económicos (não fazer compras em certas cadeias) será que tinha impacto? Ou não fazer compras num determinado período...

Saturday, June 03, 2006

 

Petição

Apesar de ter algumas incorrecções, porque foi escrita na fúria de um momento específico, vale a pena assinar, tendo a esperança que seja entretanto revista a sua escrita.

http://www.petitiononline.com/piprep/

Saturday, May 13, 2006

 

Gato escaldado

Depois de uma gastroentrite, o corpo, outrora ávido, transforma-se num ressentido. Sabe que sem alimento não vai muito longe, mas, mesmo assim, bate-lhe o pé, enche-se de náuseas, de enjoos e demora-se na disgestão do que, a custo, se ingeriu. Leva algum tempo até fazer as pazes com a comida.

Saturday, April 29, 2006

 

Insónia

As mãos a apagarem as estrelas intermitentes. O sangue como uma montanha-russa em calhas de angústia. Os olhos a inventarem uma luz apagada a espremerem minutos que não existem para dentro dos segundos rápidos. E todos os dias a mesma coisa até os ossos doerem num mar de lençóis sem ninguém.

Tuesday, April 18, 2006

 

Afinal, a coisa vai correr mesmo bem

Dear Elsa,

May - a month of cosmic abundance. Among other important events, we experience a Grand Water Trine. Jupiter, Mars, and Uranus form this Grand Trine, meaning these three planets are about 120 degrees from each other. Grand Trines are extremely beneficial aspects, rather rare, and draw attention to the element they represent; in this Grand Trine the element is water. With this element we can expect an emphasis on intuition and creativity, as well as harmonious change in abundance.

Warm wishes,
The Astrocenter Team

Monday, April 17, 2006

 

O Flâneur em Paris
















Hoje em dia há um certo vício em fazer viagens para digitalizar a paisagem e mostrar a todos onde se esteve, de como o verde era tão verde e o azul tão azul e como pusémos o pé e a mão como todos os outros antes de nós o fizeram e outros tantos o hão-de fazer. Com horários, agendas, planos traçados, tudo discorrido a bom ritmo.
Porém, numa das cidades mais fascinantes do mundo, só um olhar sem pressas e sem rumo certo pode desvendar os pormenores que encantam os que guardam intimamente a memória do passeio.

Sunday, April 16, 2006

 

Crazy












Gnarls Barkley


 

Friday, April 14, 2006

 

Sonho recorrente

De vez em quando, sonho que tenho de voltar à ESE para acabar o curso, fazendo umas cadeiras em falta. Passaram oito anos e por que diacho tenho eu de lá voltar?

Thursday, April 13, 2006

 

Menina da Lua

Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada
Princesa, olhos d'água
Menina da lua
Quero te ver clara
Clareando a noite densa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura
Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear
Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar

 

Rosie

Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une - é estar ausentes.
Reinaldo Ferreira

Saturday, March 25, 2006

 

Take the money and run...

Why do we have do "pay" attention?

Tuesday, March 21, 2006

 

Fear or love?

Eu gosto de paletas, sobretudo quando as cores escorrem e se começam a misturar inopinadamente. Do preto ao branco há muitos tons, mas pensar na vida em termos de "amor" ou "medo", ou seja, se um ou o outro nos move é um exercício bem curioso.
Pensava nisto enquanto via no outro dia o filme "Donnie Darko"...

Wednesday, March 15, 2006

 

Nómadas à porta

É verdade que há uns quantos leirienses que me olham intrigados ao saber do facto de eu ter deixado a capital do distrito e de ter comprado uma casa na Marinha Grande. A casa é mesmo muito jeitosa e mais barata comparativamente a Leiria, mas mesmo assim, há quem queira saber as razões de tal escolha. Tirando as fábricas que se vêem no horizonte e o ar que se respira (o de Leiria não é muito melhor), a vida aqui é melhor. Há mais jardins, mais estacionamento gratuito, serviços públicos e privados mais em conta e um menor provicianismo bacoco (que é mal nacional). Mas digo-vos que há meses que duas auto-caravanas de matrícula italiana pertencentes a respeitáveis ciganos engravatados se encontram ali na rua perpendicular. Reparem bem: gente que já correu a Europa vem pôr-se aqui nesta urbanização mal amanhada, mas pertencente a esta cidade operária. Eles escolheram a Marinha Grande! Isto é que me intriga... Mas intriga mesmo. (E não... não há notícias de carros roubados nem assim...) Só costuma andar aí um mocito de cerca de dez anos com um garrafão plástico na mão que primeiro pede uma moeda e depois água.

 

Vidinha santa

Lá para os lados das terras dos tios Sams e esposas, há um milionário chamado Tom Monaghan que teve a ideia (peregrina) de construir uma cidade de raiz, de seu nome Ave Maria, onde a virtude existirá em abundância e as coisas (catolicamente consideradas) pecaminosas serão proibidas. Nada de preservativos ou outros contraceptivos, interrupções da gravidez, artigos pornográficos ou canais de tv e rádio do demo. Haverá capelas em todas as esquinas (portanto, esquinas sem mulheres de má vida) e uma catedral monumental onde se rezará uma missa de hora em hora, sete dias por semana.

Lá na catequese ensinaram-me que somos todos pecadores, que até o catequista o era e nem o senhor padre estava livre de uma ou outra "desatenção". Um dia perguntei se o Papa também era pecador, mas a minha pergunta não foi lá muito bem vista. Ainda me lembro que no meu certificado de profissão de fé estava um grande burrié verde e seco. Ainda hoje me pergunto se foi acaso da higiene nasal do catequista ou vingança pura. Claro que deitei fora o papelinho cartonado por duas boas razões.

Se "somos todos pecadores", como é que é possível construir uma cidade virtuosa? Quem controlará as palavras, os actos, os pensamentos e as omissões (sobretudo os pensamentos e as omissões) daquelas alminhas?

Saturday, March 11, 2006

 

Data de validade

Quantos iogurtes já tiveste comer num só dia por causa dela?

 

My old age

Do que é que eu me lamentarei de não ter feito quando tiver 70 anos?

Saturday, March 04, 2006

 

A reabilitação do amor

O pessimismo leva à abdicação da vontade, à própria negação do sofrimento, pela completa insensibilidade a que aspira, e que de vez em quando já começa a atingir.
Maria Amália Vaz de Carvalho

Friday, January 27, 2006

 

Patrícia Melo


As conversas transatlânticas têm destas coisas. Eu falo de José Riço Direitinho e acabo por descobrir uma escritora paulista fabulosa.

A história é muito simples, porém fluente e hardilosamente contada, de um maestro muito enciumado apaixonado e casado por uma mulher judia 30 anos mais nova que ele.

Marie está a descobrir o que significa isso de pertencer ao Povo Eleito e o Maestro acha-se exactamente do outro lado, um gói proscrito do coração dela.

Saber acender uma fogueira é saber manejar a lenha e o ar. Ter a paciência do tempo da madeira e o fôlego certo para a avivar aqui e ali. Por isso, a magia de olhar o fogo é uma metáfora para a existência humana, para o amor. A combustão alquímica que transforma. E depois a Fénix. Ou, então, o rubedo.


 

Talvez

tenha aprendido a usar muitas frases para perguntar às árvores, às pedras ao chão que me acolhia que caminho era esse até ti. Sabia-te mar antes de te ver. Tinha uma memória difusa e uma certeza calma de existires.
Contigo aprendi a viver no meio dos peixes e das algas. E agora é como se falasse com a linguagem que não se diz.
Aprendi a olhar no verde dos espelhos e a conhecer a lua. Aprendi a ouvir as ondas e a abraçar o sol.

Monday, January 02, 2006

 

Alvura

E para a cidades, muita espuma branca, com esfregonas frenéticas e escovas. Escorrer-lhes água depois.
Nos passeios, nas cores dos prédios, no alcatrão (que deveria deixar de ser preto, porque isso de pisarmos caminho negro não alegra).
Gosto dessa ideia de lavar tudo de uma ponta a outra, como um "brand new start" (and I love new beginnings).

Sunday, January 01, 2006

 
Quero agarrar o tempo, apanhá-lo nas curvas, bloquear-lhe a passagem, para ficar com este beijo colado no meu pescoço.

 

Lonely Lonely

Water water on the seeds
To my left they rose and leaf
To my right cross Seven Seas
...
Maybe maybe they'll stay true
My seeds will cross and then take root
And leave you to an empty room
Lonely lonely that is you
Lonely lonely that is you
...
Paper paper obsolete
How will you reach out to me
I thought you'd ask me not to leave
Lonely lonely that is me
Lonely lonely that is me
...
Distance makes the heart grow weak
So that the mouth can barely speak
Except to those who hide their needs
And I have read the golden seal
That tell of how the seedlings feel
Reminds my heart what love can yield
...
By my only things are clear
Baby boy I'm staying here
Lonely lonely that was you
Lonely and so untrue
.
Feist in Let It Die (2004)

Wednesday, November 30, 2005

 

Indefinições

É sabido que uma boa parte da "felicidade profissional" de um indivíduo se deve ao conhecimento explícito das expectativas que sobre si têm. Ora, neste momento, recaem sobre os professores uma série de expectativas que se sabem ser muitas, mas nem sempre muito bem definidas. Embora se possa pensar que é o ensinar a ler, a escrever e (vá lá) a pensar, há já quem diga que o nosso papel nada tem a ver com isso.

É também sabido que nas escolas não há salas de trabalho para os docentes. Os chamados gabinetes de trabalho simplesmente não existem, atirando os professores para espaços híbridos. Se por um lado a sala de professores é de convívio, ela também é de trabalho. Quando nela não há espaço, recorremos à biblioteca que também é dos alunos (que aproveitam para espreitar os testes que estamos a corrigir ou a ficha que estamos a elaborar).

Chegados a casa, o nosso espaço pessoal, o privado, de lazer e ócio (e o que mais se quiser), logo passa a local de trabalho onde fichas se imprimem, testes se corrigem e se "espalham" pela secretária. E nem sempre é fácil de manter estanques as funcionalidades desse espaço.POr outro lado, o tempo. Pode muito bem acontecer a um professor, ter de corrigir testes, ir fazendo o jantar e deitar o olho ao filho que por ali brinca.

Neste momento, o tempo de trabalho individual é a única variante que podemos modificar. Requer uma certa disciplina para marcar no horário semanal as restantes horas de trabalho individual, mas esta é uma das soluções para valorizarmos o nosso trabalho. Muitas vezes, os professores trabalham para além das 35 horas semanais, mas, como não contabilizam o tempo dispendido, os mais perfeccionistas ficam com uma sensação de que podiam fazer melhor e que poderiam esforçar-se mais. Quando começamos a contar as horas em que trabalhamos, distinguindo muito bem os tempos de lazer dos de trabalho, começamos a ter um grande à-vontade para, cumpridas as 35, gozarmos o fim-de-semana como bem entendermos.

Porém, uma das questões que se prende com esse tempo de trabalho tem a ver com a sua rentabilidade. Muitas vezes há uma tendência para dispersar na semana o trabalho, não o acumulando em blocos de horas seguidas, simplesmente porque não se aguenta. É que não se trata de um trabalho mecânico, não é a mesma coisa que preencher impressos de IRS no 12.º Bairro Fiscal de Lisboa, não é a mesma coisa que atender um contribuinte ao balcão. Quando um professor organiza a sua actividade lectiva há ingredientes que deve usar, ao contrário dos outros "funcionários". Há que ter em conta a criatividade, a motivação, a adequação pedagógica, as idiossincrasias discentes, o clima, a estação do ano, o que aconteceu ontem, hoje e o que pode acontecer amanhã... Etc, etc, etc...

Se mesmo depois de usarmos as horas devidas e pagas e tivermos que fazer horas extraordinárias NÃO REMUNERADAS porque ainda há trabalho inadiável por fazer, teremos que chegar à conclusão que andamos veladamente a trabalhar por objectivos (como os empregados do Belmiro). Mas até esses têm prémios de produtividade. Dava jeito que se pusesse tudo preto no branco e que alguém verdadeiramene inteligente entendesse tudo isto.

Sunday, November 20, 2005

 

Afeições

Afinal não somos assim tão diferentes, lá no fundo. Somos apenas espíritos num mundo material à procura de alegrias e da fuga ou esquecimento das mágoas. A diferença está nas estratégias. E são aqueles que as têm em comum comigo que permanecem e a quem eu me afeiçoo.

Friday, November 18, 2005

 

Closer

Espreitem esse link. Tem o vídeo de uma das minhas música favoritas dos últimos tempos.
http://www.warnerbrosrecords.com/damienrice/

Saturday, November 12, 2005

 

Começa cada vez mais cedo

Chegado o Outono, eu estava a ver qual seria o primeiro sinal do Natal na televisão. Foi hoje. No zapping do costume, vi a Diana Krall a cantar Jingle Bells. O disco já está no top 30... Pelo menos é a Diana Krall...
E olhem que eu ia jurar que em Setembro já tinha visto qualquer coisinha natalícia por aí...
Don't you just hate Christmas?
Well... I do...

Thursday, November 10, 2005

 

Motivação para a leitura

Há uma mulher americana que me espanta aqui e ali. Não é nenhuma erudita, não tem nenhum curso superior, não é uma guru desligada dos bens materiais, é riquíssima e , sem dúvida, um excelente substituto à segurança social americana.
Oprah Winfrey supreendeu-me há uns dias num programa que já deve ter passado na terra do tio Sam há uns meses. Essa senhora, que já viveu na miséria e sofreu absusos vários, pôs os americanos a ler Tolstoy e Faulkner. É isso mesmo! Ela tem uma coisa chamada "The Oprah's Book Club" e cada livro que nele inclui sobe para o topo das listas do mais vendidos nos dias seguintes. Isto é um feito. É estrondoso pôr o chamado americano comum a ler "Light in August" ou "As I lay dying", já para não falar da russa Anna Karenina (aquilo é um calhamaço!!!). Como se isto não fosse suficiente, ela ainda oferece livros no programa, faz packs com as editoras para baixar os preços e ainda põe no seu site o público em contacto com um conjunto de especialistas em literatura para conversar ou tirar dúvidas aos leitores.
Faltava-nos em Portugal alguém assim.
Como diz Vargas Llosa, escrever num país onde os pobres não lêem e os ricos não se interessam é uma espécie de loucura.
E, volto lá, falar de Faulker no "Ophra's Show" é um arrojo.

Sunday, October 30, 2005

 

Your are my sister

You are my sister, we were born
So innocent, so full of need
There were times we were friends
but times I was so cruel
Each night I'd ask for you to watch me as I sleep
I was so afraid of the night
You seemed to move through the places
You lived inside my world so softly
Protected only by the kindness of your nature
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
We felt so differently then
So similar over the years
The way we laugh the way we experience pain
So many memories
But there's nothing left to gain from remembering
Faces and worlds that no one else will ever know
You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
I want this for you
They're gonna come true (gonna come true)

Antony & The Johnsons
in I am a bird now

Thursday, October 20, 2005

 

Petição online ao Sr. Presidente da República

Organizada por um grupo de professores em independência de sindicatos e de organismos partidários. Se concorda com o teor da petição, seja ou não professor - pela verdade, pela dignidade e pelo respeito da profissão docente - agradecemos a sua assinatura em: http://new.petitiononline.com/profspor/petition.html,
se puder e desejar, reencaminhe para todos os seus contactos.Não há bom ensino com professores descontentes e mal tratados.

(Em http://barcosflores.blogspot.com)

Tuesday, October 18, 2005

 

Milagre, precisa-se

Conheço pessoas que padecem de um mal horrível: paralesia espiritual.
Deus os cure.

 

A paixão de outros dias

O ancião fixa-se no jovem:

- Todas as pessoas já foram um dia uma única célula e hoje lidarás com elas como se elas fossem apenas uma célula.

- Isso é impossível! Elas hoje são muito mais que uma célula!

- O passado é passado. Não importa se foi ontem ou há 20 anos.


Monday, September 12, 2005

 

Now?

- And now what? What are we going to do? *-*
- We are going to start all over again.

Monday, August 29, 2005

 

Wednesday, August 17, 2005

 

Why did you let the faithful son feel the steel in the flesh?
Why was the cry for You stained with blood?
Why this senseless pain?
Please, comfort our hearts as we miss the Departed Angel.

Monday, August 15, 2005

 

The impossible kiss



 
Everybody is doing it so why should I?

Tuesday, August 02, 2005

 

Taizé

Para todos os que vão estar aqui ...


e aqui ...


ficam os meus votos de uma excelente viagem e de um grande encontro.
Este ano não vou e certamente sentirei a falta da viagem e dos encontros.

 

De malas feitas...


Vou ver as vistas para estes lados.
Boas férias para todos.
:)

Monday, August 01, 2005

 

Como diz um amigo meu do outro lado do Atlântico...

Rapadura é doce, mas não é mole, não!

Beijos para ele!

Saturday, July 30, 2005

 

A prayer

Agnus dei
Qui tollis peccata mundi
Dona nobis pacem

 

O alimento dos dias

Sobre algo bastante prosaico... Não sei se já repararam que uma boa parte das pessoas famosas, das pessoas que contribuiram para a humanidade (na arte, na ciência ou na política) não cozinhava as suas próprias refeições. Havia sempre alguém (que ficou para sempre no anonimato) que alimentava o artista ou o cientista ou o político...
Há excepções que não são nutricionalmente correctas. Van Gogh alimentava-se, numa parte da sua vida, a café e pão...
Isso leva-me a uma conclusão muito simples: eu cozinho as minhas refeições, limpo a minha casa e passo a minha roupa a ferro, logo nunca serei famosa e não terei um peso relevante na humanidade...
Agora a café e pão, nunca!!!

Wednesday, July 27, 2005

 
Morra a estupidez!
Morra!
PIM!

 
Como dizia o outro, há a extrema necessidade de Portugal se tornar uma coisa asseada.

Sunday, July 24, 2005

 
Depois do jantar, ele abandonava a mesa, desprezava o sofá, ignorava a televisão e desligava da conversa da mulher que acabava por se calar. Ficava um quase silêncio, não fosse a televisão. Os sons inaudíveis de crianças por nascer.
No ar fresco da noite, aspirando ávida mas calmamente o cigarro, aquela varanda transformava-se numa espécie de rampa.

Saturday, July 23, 2005

 
Penha Garcia

Sobem-se as ruas estreitas seguindo as marcas do percurso pedestre homolgado, passa-se pelo castelo onde até os cactos sucumbem à secura. Avista-se a barragem, quase sem água, e os moinhos. Escutam-se depois os morcegos na caverna. Mais adiante estão os fósseis. O paradão é muito cimento e ferrugem para tão pouca água. O que foi fundo é agora lama ressequida. Desce-se até ao sítio onde em tempos se moeu a farinha e se fez o pão. Na subida, uma senhora muito palradeira fazia marafonas. Regressámos ao largo, onde inexplicavelmente um tanque blindado ladeia com um parque infantil.


 
Monsanto

O Homem subiu a montanha e ali lançou raízes. Abraçou a sua casa com as pedras e fez delas tecto, chão e paredes.



 

Idanha-a-Velha

Há sítios onde se vai e de que se gosta muito.

 
The Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Este filme é dos mais bonitos que eu alguma vez já vi. Agarrem-no!
É sobre o amor. E não é tudo sobre o amor?

Friday, July 15, 2005

 

Ex.mo Sr. Primeiro Ministro,

Serve esta para o informar que, no próximo ano lectivo, trabalharei as 35 horas por semana. Cumprirei o que V. Ex.a manda. Todavia, devo também informá-lo que, desse modo, irão ficar algumas fichas por corrigir e algumas aulas por preparar. E se algum aluno vier falar comigo depois da 35.ª hora semanal, lamentarei, mas seguirei em frente, muda.
Aproveitava esta mensagem para lhe pedir, por obséquio, mais uns quantos metros quadrados em forma de gabinetes de trabalho. Não o vi em nenhuma escola nos dias das convocatórias gerais por despacho e deduzo que não se acotovelou com nenhum do professores. Olhe que "com licença" foi uma expressão muito usada nesse dia. Sei que o senhor tem um gabinete espaçoso. Talvez o possa ceder. E já agora umas quantas secretárias para fazer os trabalhos administrativos que profissionais pedagógicos (pessoas treinadas para ensinar coisas belas e úteis) têm de levar a cabo no reino da burocracia.
No dia em que matar as galinhas, experimente lá fazer uma omotele.

Tuesday, July 12, 2005

 
Dá a surpresa de ser

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, qusndo é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?

Fernando Pessoa

Monday, May 30, 2005

 

Música

Para ouvir e descobrir que há música para além da pop e do que nos querem impingir.
http://www.radioparadise.com

Sunday, May 29, 2005

 

Ócio?

Hoje havia o desfile dos ranchos folclóricos, amanhã há o almoço fora num restaurante do costume, à tarde há bola. Dias porreiros... À segunda é que ninguém escapa...

Friday, May 27, 2005

 

Aromas

Há qualquer coisa no aroma das meloas que me põe de férias. Meloas e pimentos verdes assados. Estes fazem-me lembrar sábados lentos e quentes. Daqueles sem obrigações a não ser o do ócio e da digestão bem feita.
O ócio bem desossado.

Thursday, May 26, 2005

 

O pior dos males

Além da desilusão, da mágoa, da solidão dos minutos e dias vazios, depois da Primavera ter chegado e de o outono ter ocupado o espaço todo, depois das flores colhidas, dos risos largos no verde, mesmo depois do barco ter partido para longe. O pior é mesmo sair dos braços da paixão.

Friday, May 20, 2005

 

O perdão

Há dias em que sou arrebatada por um impulso de não fazer mais nada senão ir em busca do teu perdão pela minha insensatez de outros dias, de uma espécie de apaziguamento vital.

 

O elogio da felicidade

A felicidade é o único estado de espírito socialmente aceite.
Darmos largas aos nossos momentos depressivos, juntarmo-nos muitos e vivermos em conjunto esse humor menos alegre, mais meditabundo, mais lento, menos concentrado e com menos apetite pelas coisas consumíveis podia muito bem ser a plataforma de lançamento para comunidades muito engraçadas. Se vivêssemos isso a fundo, saíriamos do esquema de vida que temos e começávamos a fazer algo de verdadeiramente criativo com as nossas vidas. Assim uma "cena bué existencialista", como diz um conhecido meu. :D
Já vi pessoas que me amam muito que, quando me vêem mais introspectiva, menos volutiva, sacam logo da frases: " Se calhar estás deprimida. Convinha-te ires a um médico." Não há nada mais irritante do ouvir que isto. Saltam-me todas as tampas (as que tenho e as que não tenho...). Que diacho!!! Então mas uma pessoa não pode andar mais lenta, mais pensativa, com menos vontades?
Porque é que toda a gente tem de te estar altamente concentrada, produtiva, "socially fit" e ready for action?
As pessoas que nos amam querem-nos assim por egoísmo. As pessoas que amam também podem ser egoístas! Quem não viu "As Horas"? Aquele diálogo entre a Clarissa e o Richard antes da festa... lindo!!! lindo!!!
Depois, interessa muito ao Belmiro de Azevedo, e a todos os que fazem dinheiro cada vez que saímos de casa, que sejamos activos e bem-dispostos, cheios de vontades de fazer coisas e de comprar coisas (para lhes transmitirmos generosamente o nosso dinheiro.)
E ainda interessa às empresas farmacêuticas, pois claro!
Todos enchem os bolsos com esta mania da felicidade permanente. Essa coisa do "shiny happy people"...
Somos seres químicos, mas tb somos seres afectivos e espirituais. Uma coisa é o meu corpo não ser, de todo, capaz de produzir serotonina e aí convém-me mesmo um comprimido.
Outra coisa é eu andar a dar tratos à cabeça para descobrir formas de tirar mais prazer da vida e ter mais momentos felizes, sentir-me melhor comigo e com os outros.
Eu sempre preferi a última via. Sou pessoa de ter grandes e prolongados amóques, já estive com a chaves de casa na mão para ir ao médico, mas ainda assim, prefiro viver com os químicos que o meu cérebro produz. É isso que funciona comigo.
Tomarmos os comprimidos não quer dizer que nos tenhamos passado para o outro lado do maralhal. Quer dizer apenas que precisamos de um empurrãozinho (passo a expressão...), ou de uma bóia.
Enfim... Cada um tem dentro de si o mapa do seu próprio caminho.

Saturday, April 16, 2005

 

Useless laws

"Oh, judge... your damn laws! The good people don't need them and the bad people don't obey them. So what use are they?"

Utah Phillips

 

Sombras

As sombras cresceram à medida que a chama foi baixando.

Friday, April 15, 2005

 

Pacifism

"You were born a white man in mid-twentieth century industrial America. You came into the world armed to the teeth with an arsenal of weapons. The weapons of privilege, racial privilege, sexual privilege, economic privilege. You wanna be a pacifist, it's not just giving up guns and knives and clubs and fists and angry words, but giving up the weapons of privilege, and going into the world completely disarmed. Try that."
Utah Phillips

Friday, April 01, 2005

 

O Esplendor de Portugal

«o meu pai costumava explicar que aquilo que tínhamos vindo procurar em África não era dinheiro nem poder mas pretos sem dinheiro e sem poder algum que nos dessem a ilusão do dinheiro e do poder que de facto ainda que o tivéssemos não tínhamos por não sermos mais que tolerados, aceites com desprezo em Portugal, olhados como olhávamos os bailundos que trabalhavam para nós e portanto de certo modo éramos os pretos dos outros da mesma forma que os pretos possuíam os seus pretos e estes os seus pretos ainda em degraus sucessivos descendo ao fundo da miséria, aleijados, leprosos, escravos de escravos, cães, o meu pai costumava explicar que aquilo que tínhamos vindo procurar em África era transformar a vingança de mandar no que fingíamos ser a dignidade de mandar, morando em casas que macaqueavam casas europeias e qualquer europeu desprezaria considerando-as como considerávamos as cubatas em torno, numa idêntica repulsa e num idêntico desdém, compradas ou mandadas construir com dinheiro que valia menos que o dinheiro deles, um dinheiro sem préstimo não fora a crueldade da maneira de o ganhar e para todos os efeitos equivalente a conchas e contas coloridas, porque
conforme o meu pai costumava explicar
olhavam para nós como criaturas primitivas e violentas que aceitavam o degredo em Angola a fim de cumprirem condenações obscuras longe da família, de uma aldeia qualquer sobre penhascos de onde vínhamos, habitando no meio dos pretos e quase como eles, reproduzindo-nos como eles na palha, nos desperdícios, nos dejectos para formarmos uma raça detestável e híbrida que aprisionavam por medo em África mediante teias de decretos, ordens, câmbios absurdos e promessas falsas na esperança que morrêssemos das pestes do sertão ou nos matássemos entre nós como bichos e entretanto obrigando-nos a enriquecê-los com percentagens e impostos sobre o que nos não pertencia também, roubando no Uíje e na Baixa do Cassanje para que nos roubassem em Lisboa até
explicava o meu pai
que os americanos ou os russos ou os franceses ou os ingleses convencessem os pretos em nome da liberdade que não teriam nunca, armando-os e ensinando-os a utilizarem as armas contra nós, convencessem os pretos
explicava o meu pai
a substituírem a condição que lhes impúnhamos pela condição que lhes garantiam não impor depois de nos expulsarem de Angola e se instalarem aqui com as suas máquinas de extrair minério e as suas plataformas de petróleo de Cabinda a Moçâmedes, tirando mais de Angola do que alguma vez pensámos ou quisemos tirar não só por ignorância mas por amor a África dado que
explicava o meu pai
acabámos por gostar de África na paixão do doente pela doença que o esquarteja ou do mendigo pelo asilo que o humilha, acabámos por gostar de ser os pretos dos outros e possuir pretos que sejam os pretos de nós, habituados à violência do clima e das pessoas e à impiedade da chuva, a resolvermos a tiro um desacordo ou um capricho»
António Lobo Antunes

Monday, February 21, 2005

 

O quarentão

É oficial... Portugal deixou-se seduzir por um quarentão, grisalho e bem-parecido.

Thursday, February 17, 2005

 

Naqueles dias...

Era eu muito mais míuda que hoje. Andava por lá com a largueza de quem tinha muitos dias para usar.
Entre a planície e a barragem, lembro-me que ouvia muito a Dulce Pontes. Dos poucos cd's que tinha era a única voz tão grande como o horizonte. Tenho presentes em mim todas as sensações que por lá agarrei.
O calor abrasador do Verão. O carro a deslizar pelo IP2 entre Beja e Castro. Os amigos que lá encontrei. As conversas que se têm num sítio onde o tempo parece ser mais comprido. Os petiscos nas tascas imundas saboreados entre um naco de pão alentejano e um copo de vinho tinto maduro e redondo. Os cães por companhia na rua. A sensação de estar num lugar longínquo para uma menina de litoral beirão, completamente diferente, que me mudava o espírito. Os moços, os meus alunos...
Aqui, hoje, à distância de muitos quilómetros, de alguns anos, de outras paisagens e emoções, da aspereza de um punhado de dias que o Alentejo teve, ficou-me este nostalgia primaveril doce.

 

A planura dourada Posted by Hello

 

Bateu-me uma nostalgia...

É tão grande o Alentejo

No alentejo eu trabalho
cultivando a dura terra,
vou fumando o meu cigarro,
vou cumprindo o meu horário
lançando a semente á terra.

É tão grande o Alentejo,
tanta terra abandonada!...
A terra é que dá o pão,
para bem desta nação
devia ser cultivada.

Tem sido sempre esquecido,
á margem, ao sul do Tejo,
há gente desempregada.
TAnta terra abandonada,
é tão grande o Alentejo!

Cancioneiro popular
Interpretado por Dulce Ponte

 

As fotos

Um semáforo vermelho dá-me para isto. Ali estava à minha frente a cara do Eng. Sócrates. O poste tapava metade da dita.
O lado esquerdo do lado dele é sério, mas o lado direito dele sorri. Ali está uma assimetria bem interessante.
Melhor ainda é a foto do Dr. Santana Lopes. Por amor a Portugal ele está com aquela expressão facial quixotesca de quem não sabe se mira moinhos ou gigantes. É o fardo dos meninos-guerreiros.

 

A dor da gente

Notícia de Jornal (Luís Reis - Haroldo Barbosa)

Atentou contra a existência num humilde barracão
Joana de tal, por causa de um tal João
Depois de medicada, retirou-se pro seu lar
Aí a notícia carece de exatidão
O lar não mais existe, ninguém volta ao que acabou
Joana é mais uma mulata triste que errou
Errou na dose
Errou no amor
Joana errou de João
Ninguém notou
Ninguém morou
Na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal

(Cantado por Chico Buarque)

Tuesday, February 15, 2005

 

My daily wish

I want to be a happy hippie.

Friday, January 28, 2005

 

A inveja

A inveja é o lodaçal dos medíocres.

Thursday, January 27, 2005

 

O nada

Quero encontrar um lugar onde a matéria não tem valor.

Friday, January 21, 2005

 

"A Sombra do Vento"

De Carlos Ruiz Záfon. À primeira vista é uma história sobre um livro, ou livros, ou sobre a literatura. Porém, à medida que vamos avançando nas páginas, compreendemos que é um livro sobre afectos, paixões, encontros e desencontros.
É um livro que fala sobre uma certa redenção através da leitura, como se pudéssemos aprender com as vidas nos livros, como, se lendo e entranhando as personagens em nós, conseguíssemos encontrar outros rumos. Caminhos de salvação.
Muito bem escrito, traduzido com uma mestria deliciosa, este é um livro que nos prende numa Barcelona de há 50 anos, com o seu Bairro Gótico, as avenidas, os eléctricos e os edifícios em geral. E as Ramblas, sempre.
É sempre assim, na vida. Aquilo que à primeira vista parece ser sobre dinheiro, fama, ambição ou glória é mesmo sobre afectos. Ou a falta deles.

Friday, January 07, 2005

 

Cesariny...

Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz?
E amanhã há bola antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo No riso admirável de quem sabe e gosta de ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Nobilíssima Visão (1945-1946), in burlescas, teóricas e sentimentais (1972)
Mário de Cesariny

Saturday, December 18, 2004

 

Re-fuel

Eu vi pessoas que disparam juízos como setas de índios contra os outros. O acertarem é o combustível da sua vida. Essas pessoas não são movidas por nenhum propósito altruísta e alargado. Apenas precisam de combustível.

 

Os jovens e os outros

"Os jovens têm tempo para fazer planos e inventar novas ideias. As pessoas mais velhas têm de investir todas as energias na manutenção daquilo que já foi posto em acção."
Michael Cunningham, Uma Casa na Escuridão

Saturday, October 30, 2004

 

Stones and houses

"... but before you throw those stones at me
tell me what's your house made of..."
Ani DiFranco

Sunday, October 17, 2004

 

O escuro

É rídiculo ter-se medo do escuro a certa altura da nossa vida. Há ainda outros medos que soam ridículos só de os entoarmos dentro de nós. Acende uma lanterna que seja dentro deste cheiro pesado a antigo e amanhã, garanto-te, poderás abrir uma janela e depois a porta. Quem sabe se mais tarde, não estarás a caminhar pelo jardim fora, pisando a erva muito verde, molhando os sapatos com o orvalho da madrugada. Até poderás reparar nas árvores plantadas por outros e desejar trincar uma maçã, ou um diospiro. Acho que saberás distingui-los, laranjas, no meio das cores outonais. Tu nunca gostaste muito do Outono, mas sei que gostas de diospiros e de romãs. Se vieres ter comigo, descasco-te os bagos vermelhos de uma romã vermelha e madura. Posso ver-te comê-los um a um. Ou então enchendo a palma da mão e depositar tudo na boca. O sumo rubi nos teus lábios. A verdade é que não sei como comerás a romã. A verdade é que não sei se acenderás a lanterna.

Friday, October 15, 2004

 

Ghosts...

Nem sempre os fantasmas são silenciosos. Nem sempre permanecem na sombra. Insidiosos, surgem de muitos lados. Encostam-se na curva da solidão e deslizam de ontem para o momento que corre. Instalam-se nas mãos e prendem-nos os braços em inércias desconcertantes.

Tuesday, October 12, 2004

 

Fuel

De um lago de fogo, há labaredas à toa.
What is your fuel?
Why do you burn?
Do you wish to be the fire in the maze?
Are you in the center? Placed above?
What is your path?
Why did you start?
What started you?


Tuesday, November 04, 2003

 

Flavours

"Squint your eyes and look closer
I'm not between you and your ambition
I am a poster girl with no poster
I am 32 flavours and some more..."
Ani DiFranco

Sunday, October 05, 2003

 
Neste país, há crianças com oito anos que fazem marmelada na escola que levam para casa num "tupperware". Na sala de aula, dezenas de moscas oriundas de uma engorda ali perto fazem festa junto aos "tupperwares".

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Immortality Device
New Invention allows humans to stay physically young forever!